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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Pintura Indígena


A arte indígena esta muito além do valor estético, ela obedece a preceitos mágicos simbólicos e cosmológicos da sociedade que a representa sempre com ligações ao universo. Essas pinturas representam sua “identidade”, contidas nelas estão à etnia, posição e prestigio social, sexo, idade, a que família pertence entre outras dezenas de informações a seu respeito.

A arte indígena deve ser vista e falada no plural, pois seus significados são muitos, ela é a representatividade de seu povo, isso eram sentido em toda sua estrutura social, cultural, dinâmica se fazendo presente principalmente nas cerâmicas, escultura de madeira e em trabalhos de cestos e palhas, remos, redes e outros produtos artesanais.

A excelência, porém de sua majestade era a pintura corporal, tida como uma tela onde eles faziam suas pinturas, nessa arte, eles colocavam todo o conhecimento representativo de padrões decorativos, gregas, inúmeras formas geográficas, bem como representação da fauna e flora.


Kudina
A pintura representaria agora o que a tradição oral representou por varias gerações como herança cultural. Isso se fazia presente na cultura dos Kudina, onde os homens se casavam com outros homens e assumiam o posto de mulher. Para os “olhos modernos cristãos” isso parece fugir dos preceitos “corretos perante Deus”, mas é sua cultura e ela perdura até os dias de hoje.

Kadiwéu
Os índios Kadiwéu são os representantes da exímia arte da pintura, impressionando até mesmo os europeus que aqui nos visitaram no século XVI, existia ainda outros grupos indígenas menores, porem não menos importantes que se destacavam pela graciosidade de suas pinturas, o fato foi de que o contato com o branco apresentou resultados negativos as pinturas posteriores, agora essas representatividades artísticas eram feitas em papel com tintas artificiais e eram todas comercializadas, destoando o seu sentido original.

As cores utilizadas nos corpos eram vegetais, onde o vermelho obtido do urucum, o preto do sumo de jenipapo, o branco da tabatinga e o amarelo do açafrão eram as cores predominantes, sua aplicação era feita com artefatos obtidos de taquaras, carimbos, caroços de frutas e até mesmo com os dedos.


Os principais grupos indígenas eram compostos pelas etnias: Araweté, Asurini, Bakairi, Bororo, Kadiwéu, Karajá, Kaxinawá, Maku, Maxakali, Panará, Timbira, Xerente, Xolkeng, Yawanawa, Wajãpi e Waiana.

Araweté: residiam no sul do PA, e não totalizavam mais do que 300 índios, sua pintura se destaca pelo vermelho no corpo, cabelo e rosto, onde são feitos traços horizontais sobre a sobrancelha e traços verticais abaixo do nariz e duas diagonais que vão das orelhas aos lábios.


Asurini: eram compostos por aproximadamente 400 índios, seu habitat eram as cercanias do Tocantins, sua pintura corporal se caracterizava pelos ornamentos que lembram os cipós da natureza, bem como o rabo de macaco, pata de jaboti, cangote de onça pintada, etc... Para cada parte do corpo as pinturas recebiam nomes diferentes.



Bakairi: totalizam hoje 1000 índios que vivem no MT, as pinturas oriundas do genipapo, urubum e tabatinga são utilizado em ocasiões sociais como casamento, morte, primeira mestruação ou para as colheitas, essas pinturas são utilizadas tanto pelos homens e mulheres.

Bororo: tem as mesmas características dos Bakairi em relação à demografia e localização, a sua pintura porem represente um elo com o mundo dos mortos, caracteriza-se por ter sentido triplo: enfeita o corpo, evita doenças e afasta os possíveis males, em seus rituais recebem o espírito dos mortos ou de animais. 
   
      
Kadiwéu: habitantes do MS, totalizando menos de 2000 índios, seu padrão de pintura corporal se caracteriza por aspirais, curvas, cruzes e losangos dentre outras formas; a pinturas feitas no rosto são exclusivamente geométricas, além de braços e pernas.


Karajá: são divididos em três grupos: o Karajá – o mais numeroso, Javaé e o Xambioá, esses formam juntos 29 aldeias, hoje sua população foi reduzida a aproximadamente 3000 índios; as cercanias de seu habitat são TO, GO, MT e Ilha do Bananal, suas pinturas destacam-se pelo uso do relevo ornamentado utilizado nas cerâmicas e pela pintura também corporal baseada em traços horizontais e verticais, onde se entrecruzam os pontos, esses desenhos apresentam um cunho animal. 
Os desenhos apresentam as características culturais desse grupo como idade, sexo, posição social. Os membros do corpo são desenhados com pinturas a base de listras ou faixas; quando meninos entre 10 e 12 anos recebem uma pintura preta azulada de genipapo, quando atingem a puberdade, recebem dois círculos no rosto pintado com genipapo e carvão para simbolizarem a sua maturidade.

Kaxinawá: tinham seus corpos pintados por ocasiões de solenidades e grandes festas, como batismo de legumes, por exemplo, seus traçados obedeciam mais de 50 formas, tendo como inspiração a fauna: cobras, jacarés, corujas, lagartos, etc...



Maku: seu habitat era entre a Amazônia brasileira e peruana, sua cultura artística em relação às pinturas se faz pela copia de outras culturas indígenas.




Maxakali: habitam a região de MG, sua cultura caracteriza-se pela sua alegria, brincadeiras, além de exímios nadadores; as pinturas são feitas de genipapo e urucum para embelezarem ainda mais o que são. Destacam-se pela fama de “namoradores” e o fazem quando estão pintando, nadando, em especial pintam o rosto, as pernas e braços com urucum para realçarem a sua beleza.

Panará: são conhecidos pelo apelido de índios gigantes, totalizando cerca de 200 indivíduos que vivem nas regiões de MT e PA, foram quase dizimados pelos bandeirantes no século XVIII e quase extintos no século XIX; pelo fato de quase desaparecerem, sua tradição de pintura corporal de extinguiu, para não desaparecerem totalmente, se utilizaram das mesmas técnicas de pintura corporal parecida com a dos Makus, incorporando a cultura de outros grupos para não desaparecerem por completo.


Timbira: habitantes das regiões do MA e TO, receberam esse nome por cauda das sete sociedades indígenas: Apanyekrá, Apinayé, Ramkokamekra- Canela, Gavião do Oeste, Krahô e Pukobê. Seus corpos são pintados nas festividades para representar cada grupo, com padrões e cores diferentes, destacam-se pela corrida com toras, tido como uma espécie de esporte nacional para eles. Os membros dessas comunidades se dividem em grupos de acordo com a pintura ou em sociedades de festas.         
                                                                         
Xerente: habitam o TO e contam aproximadamente com 1800 índios, sua pintura destaca-se por seu corporal. Os adultos fazem uso dessas pinturas somente em ocasiões, diferente das crianças que devem estar pintadas o tempo todo, as cores utilizadas são o preto obtido do carvão com pau de leite, o vermelho do urucum e o branco se faz pela utilização de penugens, antes da aplicação de qualquer corante no corpo, eles passam pelo corpo todo óleo de babaçu. 



Xokleng: encontram-se na região de SC e totalizam cerca de 750 índios, até os anos 50 do século passado, ainda preservavam suas características, costumes, crenças e cultura material, muito utilizadas em ocasiões especiais baseadas nos traços da fauna da região. Nos dia atuais foram “invadidos” pelas religiões, dentre elas a episcopal, descaracterizando-se totalmente do que eram adotando seus rituais religiosos da Assembléia de Deus. A FUNAI numa tentativa quase frustrante e desesperador, tenta mudar esse quadro, introduzindo novamente seus costumes tradicionais.

Yawanawa: habitam a região do AC, somente os anciãos preservam os padrões ornamentais da antiga pintura corporal, hoje essas pinturas são feitas pelas mulheres em ocasiões especiais como as festas de saiti, conhecidas por suas gritarias. As poucas pinturas que se fazem hoje são utilizadas as cores preta do jenipapo e vermelho do urucum.




Wajãpi: constituem- se menos de 1000 índios e vivem na fronteira da Guiana Francesa e o AP, sua pintura destaca-se pela mistura engenhosa de desenhos nas formas de animais da fauna regional, formando desenhos complexos, segundo a lenda, esses desenhos são obtidos por mensagens dos mortos, onde cada um pinta o seu corpo de acordo com a mensagem do morto. Em 2003 a UNESCO declarou esse padrão como Patrimônio Imaterial da Humanidade.


Waiana: habitam o norte do PA, suas pinturas obedecem à versão mística das pinturas e do padrão utilizado as pinturas corporais. Segundo a sua lenda, foi o homem-lagarto e a cobra-grande que lhes forneceram os desenhos e cores para a inspiração das pinturas, dentre essas cores destacam-se o preto e o vermelho. Sua singularidade se faz presente pelo uso do pontilhado, imitando a pele de onça, tida como o domínio da natureza, o triangulo representa a borboleta ao mundo espiritual e o listrado fazendo alusão à cobra-grande, no sentido do sobrenatural.


Referências
LEITE, José R. T. “Pintura Indígena”. IN: História da Pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Rumo Certo Prod. Culturais, 2007. PP: 27 – 34.

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Um comentário:

  1. Eu nenhum lugar eu estou achando o que procuro que é as pinturas indígenas com seus significados.Se alguém souber de algum irei agradecer

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