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terça-feira, 7 de maio de 2024

Politicas da subjetividades: Desobediência epistêmica/Interculturaliade. Parte II

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Desobediência epistêmica – Valter MignoloDesobediência epistêmica – Valter Mignolo: é uma revolta do “celeiro da américa latina”, tudo o que dizia respeito da cultura silvícola é apagado para a nova civilização entrar, aconteceu em toda américa latina e por toda esta vida nos trabalhamos reproduzimos a cultura do dominador, é a colonialidade, o pensamento epistêmico do colonizador. Esses estudos desconstruíam a partir das teorias de Foucault, Gattari; a desconstrução é pensada com novas diretrizes, com a migração dos estudos da pesquisa com a pratica. A pesquisa descobre e briga com o comportamento cultural, assim para assumir a leitura como espaço de prazer há a luta do professor como lugar de reprodução. A desconstrução da cultura sobre a mulher, sobre o negro, são teorias que mexem com as inquietações, não há mudanças repentinas por lutar contra comportamento cultural difícil de mudar. A mudança ocorre paulatinamente.


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O bom crioulo – Adolfo Caminha: há dois personagens que se encontram e um mata o outro, o livro diz que o negro forte mata o branco, nisso ele sofre e no século XX observa-se que o autor lidava com o discurso colonial. Esse romance foi uma ordem de uma teoria que se estabelecia naquele século, ou seja, a literatura acompanha o momento, ou seja, o negro já trazia a índole má. O branco (Aleixo) foi seduzido pelo negro (Amaro) e nessa carência dentro de um navio houve a relação.





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Iracema – José de Alencar: Iracema se apaixona pelo português, ela é virgem e dormem, ao acordar ela não é mais virgem. A índia morre de amores por ele, mas deixa o filho Moacir, o português volta para o Brasil e leva o filho para a Europa. A leitura da época é a da índia que seduz o europeu. A leitura hoje é a América ou o Brasil, eles passam e avistam as terras, ou seja, a terra os seduziu. Nossa educação, religião, cultura é toda portuguesa.





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O guarani – José de Alencar: Peri é apaixonado por Cecilia, no séc. XVIII já não havia mais o índio fraco, perseguido e sim forte mas um índio subserviente apaixonado pela branca, tudo o que ela pede ele traz.






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A desobediência epistêmica nasce das revoluções de conhecimento para perpetuar a partir de uma ideia de nação, por isso esses autores para dar um novo significado a descolonização. A identidade que se pensa hoje é quem sou no lugar que vivemos e o que a colonialidade fez com nossa cultura e quem esta a margem dessa cultura e não consegue se inserir. Pensar uma cultura é pensar os integrantes dessa cultura: brancos, negros, índios, mulher, homossexual. O preconceito é não chegar ao outro e sim estabelecer algo sobre o outro. São demandas que se pensa esse lugar decolonial. Nunca se pensou na cultura em nunca se descontruir, ela estava imposta, para a academia é um assunto novo, beirando a utopia, porém, o comportamento esta no pensamento coletivo. Uma cultura do séc. XV começa a mudar agora, há um novo olhar. A desobediência epistêmica é o espaço da descolonização. Há novos padrões e simples de dizer e complexos de realizar. A desobediência epistêmica deve começar conosco, desbloqueando ou desobedecendo uma epistemologia colocada não por mim mas pela cultura. O saber se da pela cultura não pela cultura.

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Primeira noção de desobediência: é a decolonidade, desobediência e a política da identidade. Desobedecer no sentido comum no dia a dia, neste caso, a desobediência epistêmica se atrela a epistemiologia, não se nega o conhecimento, mas rediscute o conhecimento, sendo necessário a discussão da cultura, biologia, religião, são lugares que devem ser repensados, pelo fato de não terem sido construídos a toa, e sim a construção política, ela começa da apropriação do lugar, mas essa terra há pessoas, bens e do conhecimento desse povo, se apropria para dominar, precisa apagar, zerar e implantar a minha cultura, mas não zera.

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O subterrâneo do sujeito tem sua subjetividade, a criação do projeto de colonização, e conhecer o que havia no outro lado, o projeto era de ampliar o horizonte, e todos os que ali estavam precisavam ser submetidos a esse conhecimento. A colonização, ou seja, sendo colônia, recebemos a epistemiologia do outro: religião (católica) que trouxe os pudores possíveis porque quanto mais disciplinados é o sujeito, melhor para que ele atenda e aceite a epistemiologia. A igreja quando entrou aqui era dominadora, disciplinadora, punitiva, colocava na mente das pessoas o pecado, os recatos da mulher na sociedade.

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A vida era pensada para a morte, quanto mais pessoas disciplinadas para a igreja, era melhor para controlar. A nossa base foi a mais forte, a cruz de Cristo vem para redimir e punir, redimir aos bons, penitentes, disciplinados e punir os que não eram assim. A ideia de culpa vem disso. Hoje temos culpa de dizer que não pode ajudá-lo. A cruz de Cristo trouxe todos os dogmas da religião.


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A escola jesuítica: reforça a fé cristã, a escola foi uma extensão de todos os dogmas das igrejas, os colégios eram feitos em forma de conventos para disciplina-los através do jejum e sua formação era primeiro de homem, de mulheres (diferenciadas - formavam professoras e donas de casa e ou senhoras que não casariam). A política do Estado sempre foi a base para amparar o que a igreja trazia e o que a escola dizia, Pombal foi um exemplo onde ditava a escola e sua maneira de ser.


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Atualmente vivemos, nossos antepassados viveram isso, nós nascemos em obediência. A desobediência está ligada ao desapego sobre a vida, essa desobediência tem que ser gerada no comportamento frente a vida; esse é um comportamento de uma culpa que não é nossa, temos que nos conceber como sujeitos livres. Para Mignolo a liberdade de ser e agir nos impulsiona para algum lugar. Atualmente a desobediência dialogada com o papel descolonial, é uma negação, há um rompimento que amarra, sufoca, sem estado de ser, viver, criar, produzir, mas não quer dizer que romperá com tudo.


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A vida deve ser fixada do jeito que gostaríamos, nós criamos essas resistências a ponto de nossos contatos uma hora estagnam, assim a pessoa fica obrigada a desfazer o que o trava, para isso é preciso criar essa liberdade e a partir daí produzir para melhorar minha vida. Somos dependentes como diz Silviano, temos uma dependência e isso gera um paradoxo de Colonialidade, somos dependentes da cultura e ao mesmo tempo somos universais, temos vários olhares e não sabemos lidar com isso por mexer com as ações do dia a dia.



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A educação na sala de aula é técnica, não reflexiva, há um reforço de uma colonização, na igreja havia o reforço de que ela era culpada. A partir dos anos 1998 e 2000 em diante quando a internet e o celular abriram o horizonte das pessoas, no Brasil houve uma aceleração rápida para a tecnologia, houve um empoderamento dos brasileiros. Em 2006 Peru, Chile, Colômbia começaram a se articular novas propostas de se pensar nas condições de ser negro, branco, homossexual, tidas como fantasiosas. 

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A escola só mudará enquanto os professores tiverem conhecimento de teorias e a desobediência não é romper com o passado e sim assimilar as novas tecnologias. Não se faz revolução sem a presença dos alunos.



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Interculturalidade Catherine Walsh: nos anos 90 era funcional, uma cultura dialogava com outra cultura. A autora mostra que a interculturalidade deve ser na perspectiva de um projeto decolonizador, ou seja, como o eu absorve o outro. Com a migraçao dos venezuelanos, ele passa a perder os costumes e adquire novos hábitos, esse é um processo de interculturalidade. A autora discute a compreensão de uma interculturalidade mas que logo será pensado como forma crítica, de troca, de convivência de percepção do que o outro é e como isso melhoraria nossa cultura.

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Identidade: não se pensa mais em noção de origem e sim no conhecimento epistêmico, do conhecimento que recebemos e o que ele mudou em nossa vida? Desobedecer é a epistemologia que nos construiu e até que ponto ela dá conta de nossas necessidades. A desobediência epistêmica rompe com as tradições que só nos criam situações difíceis.





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A interculturalidade crítica não é um fato é um processo minimamente possível que se faz hoje do aprisionamento cultural que existe em nós, a mudança do processo de alteridade só é possível quando o profissional exerce em aula. A partir dos anos 90 se pensa as politicas publicas e na AL se pensa essa questão da interculturalidade como um lugar indígena e sua representação na escola, na sociedade. No BR foi diferente, foram os afrodescendentes que tomaram a frente dos estudos. A autora parte por 3 eixos básicos: Interculturalidade funcional, critica por estar na perspectiva da descolonização, dos rompimentos.


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Tomas Tadeus da Silva
. Discute que a educação tem um lugar eurocêntrico.





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Nilma Lino Gomes. Nossas pesquisas são voltadas para os negros e raramente os índios.

1. Compreensão da interculturalidade – mostra que a interculturalidade não é uma palavra nova, o processo relacional seja por igualdade ou não existiu na cultura LA entre colonizador e colonizado, isso só foi possível pelo processo de interculturalidade, pois serviu apenas para mostrar a aproximadamente entre branco e negros. O inter de interculturalidade é de falsidade. A interculturalidade conta com a sutileza assimétrica.

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Relacional: a interculturalidade relacional é o domínio do outro. O problema está nesta perspectiva. É algo que semp0re existiu desde o momento que as culturas começaram a se relacionar assimétricas ou não ou forjando a simetria, tudo isso está no plano das relações. A política e os estados começam a perceber essa funcionalidade onde as diversidades devem ser estudadas. A interculturalidade sai do campo apenas relacional e agora ganha uma função nas políticas públicas, nas escolas. Todas as margens do campo relacional com a nossa relação forjada, agora há o estudo dessas relações, o fato que não fomos trabalhados com essas perspectivas. A interculturalidade relacional tinha um lugar na relação. 



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Funcional: a interculturalidade funcional, deve ser inclusa, fazer parte das políticas públicas, o sistema deve se preparar para essa nova realidade. As inclusões hoje são forjadas para alimentar o mundo neoliberal. As políticas ditas para o indígena, afro tem o perfil dessa interculturalidade funcional. O documento serve a alguém. A relação que depois se transforma sem funcionalidade agora usa o sujeito pelo fato de no entendimento dele agora é visto.





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Crítica: é a interculturalidade crítica na sua forma essencial ainda não existe, é o processo de descolonização. É o processo de descolonização do sujeito, há uma inclusão forjada para beneficiar o grande capital. É de interesse do poder que haja inferioridade para explorar e ter maior visibilidade do controle. A interculturalidade critica começa quando critica as duas primeiras. A pessoa nessa interculturalidade o conhecimento que o mundo relacional não ajudou ninguém a crescer.     

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2. Interculturalidade, educação intercultural e políticas educativas.  

2.1 A educação intercultural bilingue:

2.2 As reformas dos anos 90:


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2.3 As políticas educativas emergentes no século XXI: Ocorreu dois eixos de mudança: o primeiro se refere entre educação e desenvolvimento humano integral, o segundo pelo interculturalismo. Para Max Neef e Amartya Sen este segundo eixo corresponde as necessidades de um desenvolvimento mais humano em períodos de crise, onde cada um contribui para o desenvolvimento social, melhorando a qualidade de vida e bem-estar destacando-se pela igualidade, diversidade, democracia e proteção de recursos.

O bem-estar pode ser entendido sob duas categorias: a ontológica que é o ser, estar, ter e fazer e a axiológica: lazer, entendimento, criação, proteção e para se chegar ao bem-estar dependerá exclusivamente das pessoas e não da sociedade e de mudanças estruturais sociais, varia de acordo como as pessoas vivem e controlam suas vidas, ou seja, cada pessoa contribui para o desenvolver da sociedade ao ponto de superar os problemas do desenvolvimento.

De acordo com essas perspectivas aumenta a inclusão aos grupos que sempre foram excluídos pela sociedade por meios de mecanismos sociais evidenciando as mudanças sociais de suas políticas favorecendo a diversidade no sentido de ser os motivos de ameaça ou insegurança. Entidades como o FMI, CEPAL, BID garantem essa união social pela interculturalidade. Há o temor da “radicalização de imaginários étnicos” em estabelecer um novo senso comum compatível com o mercado, nesse caso a interculturalidade funcional adentra os compôs do bem-estar social individual colocando-o em projeção na modernização, globalização e competitividade.

De acordo com Walsh define as políticas protegem uma educação universal única afim de alcançar a igualdade incorporada a adversidade, por isso vários países estabeleceram leis que cria um sistema de “educação intercultural”. O México em 2001 deu início a um novo modelo escolar a partir da educação básica até a universidade onde os índios também foram beneficiados cuja função era criar programas de educação e línguas indígenas, ou seja, universidades voltadas para a cultura indígena mexicana, posteriormente se questionou por que não chama-la de intercultural em vez de indígena?

Mesmo a questão da interculturalidade ser para todos, via-se a questão ainda era centrada ao índio incorporando a diversidade linguística cultural. Ao se pensar a educação interculturalidade tem-se a ideia de algo ainda distante; os ensinamentos afrocolombianos também pretendem a obrigatoriedade de estudos sobre sua cultura nas escolas bolivianas onde se ensina como matéria étnica e não como base para pensar os conhecimentos tradicionais de uma Colombia descendente de africanos.

A Venezuela em 2007 também pensou num currículo bolivariano onde os indígenas e os afrovenezuelanos compartilhariam uma educação também intercultural, tal educação serviria para atender os contextos de coexistência a partir da educação. Sua constituição entende a interculturalidade se estende ao pensar, refundar e descolonizar o nacional. Bolívia e Equador também pensam a interculturalidade no sentido de transformação, refundação e descolonização do sistema.

Descolonizar os nacionais, é um conceito subjetivo, desconhecido das pessoas e dos que estudam a colonização por não basta saber, tem que entender o descolonizar é preciso mudar as suas ações. Discute-se o sensível, a fala do outro, a oportunidade de empoderamento, independência, que o sujeito faça a evolução molecular... A discussão perpassa o campo da existência interior.

A educação opera homogeneamente, opera monoculturalista, a escola é por natureza conservadora pelo fato de padronizar o sujeito, disciplina o sujeito dizendo que ele deve ser assim para ser aceito, caso contrário não controlará o sujeito.

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REFERÊNCIA: Prof.ª  Drª. Maria de Fátima Berenice Cruz: Professora da Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Linguística, Literatura e Artes - DLLArtes. Professora da disciplina Politicas da Subjetividade.

Referencia das fotos:

1 - https://letterislivros.com/produtos/desobediencia-epistemica/

2 – https://www.kobo.com/br/pt/ebook/bom-crioulo-8

3 – https://armazemdacultura.com.br/products/hipnos-e-tanatos-em-iracema-de-jose-de-alencar

4 – https://www.traca.com.br/livro/1332312

5 – https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/revolucao-cientifica-seculo-xvii.htm

6 – https://guiadoestudante.abril.com.br/dica-cultural/repertorio-entenda-conceitos-da-decolonialidade-para-usar-na-redacao

7 – https://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/colonizados.html

8 – https://diogenestraducoes.blogspot.com/

9 – https://www.recantodoescritor.com.br/2020/06/08/os-objetivos-da-educacao-jesuita-a-2026/

10 – https://www.pensador.com/frase/MzIyMTk3Mw/

11 - https://doisdez.com.br/linha-de-vida/

12 – https://tecnoblog.net/responde/a-origem-do-som-da-internet-discada/

13 – https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/alunos-no-brasil-regridem-em-desempenho-do-6o-ao-9o-ano-do-ensino-fundamental/

14.https://www.facebook.com/Lisboa2017/photos/a.1928335944056629/2109210765969145/?type=3

15 – https://fisica.net/historia/o-que-e-epistemologia.php

16 – https://unileao.edu.br/blog/cultura-afrodescendente/

17 – https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=DQspsDZFunk

18 – https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/primeira-reitora-negra-de-instituicao-federal-toma-posse-8042333

19 – https://editoraappris.com.br/produto/interdisciplinaridade-interculturalidade-e-interseccionalidade-faces-negras-na-escola/

20 – https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2022/05/07/interculturalidade-vai-da-solucao-de-problemas-ao-jeitinho-brasileiro.htm

21 – https://regiao-sul.pt/internacional/semana-da-interculturalidade/470054

22 – https://pedroejoaoeditores.com.br/produto/educacao-diversidade-e-interculturalidade-reflexoes-para-giros-decoloniais/

23 – https://outraspalavras.net/descolonizacoes/poronde-reconstruir-a-educacao-brasileira/