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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

História Medieval


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"Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito" Albert Einstein


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O objetivo da Históra Medieval é estudar e mostrar a idéia de Idade Média para os dias de hoje, mostrando que esse período ainda faz parte do nosso cotidiano, a América Portuguesa sempre esteve muito próximo desses fatos contemporâneos, porém a idéia de mundo antigo e medieval não tinha relação ou importância para as pessoas. A entrevista justifica o avanço no campo das pesquisas e temáticas, como por exemplo na História dos Annales de Marc Bloch, Febvre...

Le Goff
Existem estudos onde apontam os historiadores na sua maioria serem medievalistas ou se dedicam ao medievo, no caso, a sociedade camponesa. Lê Goff tinha como tema o objeto de estudo da Idade Média e sua realidade passada onde cobriria um período de quase 1.000 anos: a sociedade cultural medieval, como marco elementar, diferente da sociedade organizada, pelas suas diversas etnias no Mediterrâneo do Império Romano.

A perda da identidade romana na Idade Média: V – XV em torno de 476 – 1473 com a tomada de Constantinopla são dados aparentementente incorretos, pois eles se tornaram arbitrários ou por si só são índices fixados, essa declinação do tempo ocorreu através da noção de tempo, as cronologias eram formadas, o problema estava justamente na diferenciação das eras, a Idade Média iria além dos fatos formais de sua estrutura e sobreviveria além do séc. XVIII, com uma longa duração.

Os aspectos culturais eram os menores possíveis, pois os elementos cronológicos eram elementos que falavam a respeito do mito ou de idéias preconceituosas, era a estruturação de uma nova visão com resquícios da antiga: caleidoscópio e holograma. O caleidoscópio enxergava os fatos históricos como uma deformação de maneira unilateral, por exemplo, as leis marxistas.

Não se poderia fazer isso na Idade Média a partir de um modo de produção, a realidade não era analisada através dos primários econômicos, as forças produtivas estavam travadas, presas a uma realidade de guerras e predestinações. As sociedades agrárias não desenvolviam tecnologias, a vida social não estava ligada diretamente associada à luta de sobrevivência.

A holografia procurava ver a realidade de maneira “tridimensional” onde a Idade Média poderia ser vista a partir de diversos vieses, era uma perspectiva da Idade Média até a escola francesa, ela abriu outras dimensões da Idade Média que interessavam de modo geral, os aspectos religiosos, simbolismos, onde a linha dura política não dava conta de tudo, por exemplo, os reis, pactos políticos, pactos econômicos. A história holográfica eternizava a memória dos vencedores.



O latim era considerado uma língua de intelectuais numa sociedade onde só se falava praticamente dialetos, esses porém ajudaram a transformar o séc. XI surgindo como línguas neolatinas, a igreja tinha sua casta sacerdotal que era intelectual e o latim era preponderante, por isso sobreviveu por séculos por causa de seu clero e a alfabetização lenta do povo.





O campesinato pobre não tinha acesso ao latim, no império romano ele era vulgarizado e no medievo foi eleito língua referencial, falada apenas pela elite, foi um processo lento e gradual de socialização, tardio, mas aconteceu e em determinadas monarquias isso não era respaldo para dizer que todos falavam, preservando a língua mãe de cada reinado.

A escola positivista tinha sua construção ligada diretamente aos movimentos de leitura política, reacionária, dialética, praticamente levaria aos interesses pertinentes a cada um. A história que não nos interessa é aquela que eterniza certos fatos políticos, por exemplo, a selvageria, barbaridades. A realidade da Idade Média era colocada como selvagem e no séc. XIX teríamos uma Idade Média romântica. A leitura infanto-juvenil havia sido ressuscitada pela nova cultura européia, eles não tinham autoria pelo domínio comum.

Peter Burke
Peter Burke diz que o séc.XIX descobriria o povo a partir da história de um passado comunal dos camponeses, este século retrataria a Idade Média como positiva e nos traria um olhar político diferente como a idéia de sonho, de aventura, por exemplo, Robin Hood que rouba dos ricos para dar aos pobres, ou ainda o Príncipe Encantado que desce de seu alazão ao encontro da princesa, onde todo conto tem seu final “felizes para sempre”; no caso do Corcunda de Notre Dame, ele era considerado feio, mas a idéia de feiúra era neutralizada pela sua bondade, era uma leitura considerada deformada retirada das trevas da Idade Média, o mundo nessa época era onírico.

A partir dos séculos XVI, XVII, XVIII, a literatura passou a ser rude, pois a religião envolvia o povo, era feito uma analise, e se observaria onde se colocariam os recursos (fontes) do séc. XXI Partia-se do princípio onde a literatura (documentos, fontes) era evidenciada como possibilidades de verdade, com isso a sociedade passou a ter uma característica fundamental: a oralidade. As sociedades não foram entendidas por que eram fontes orais e o documento ampliaria a teoria.

O princípio de passado e presente era uma idéia reproduzida pelo livro didático, era um estudo dessas épocas, não era algo distante do passado, pois esse não se recuperaria e se repetiria. O Estado não se repetia, ele trabalhava com categorias transitórias, o passado por sua vez se recuperaria parcialmente. Nessa relação do passado com o presente havia uma relação de verdade, a Idade Média Moderna contém raízes afro - américa, pois a idéia de passado é um ”mito-dinâmico”, existe a ideologia e a política, mas não se deve banalizá-la, afinal isso é a base política de um dado histórico.

A História Medieval tem 70 anos e não conseguiu fazer abordagens a partir de elementos ideológicos de um passado dialético demandado pelo presente; a ligação pela idiossincrasia pela subjetividade: fazer a história com participação, rigor e metodologia. Fazer a história com princípios é ter personalidade de fazê-la da maneira correta.

Historiadores medievalistas
Os historiadores assumem o medievalismo e falam da perspectiva e importância que exercem sobre isso, o período histórico da idade média e contextualizado pelo seu preconceito, pois o tipo de cultura destruía o sujeito e a maneira como viviam. A auteridade refletia a crítica e trabalhava os parâmetros na produção para ver o passado mais livre, mesmo que ele nos convencesse (etnocentrismo), pois o passado não era mais um entrave. Os povos independentes de seu meio de produção viviam de forma renegada, por exemplo, a sociedade agrária tinha dificuldades desse procedimento de certas comunidades

O padrão de desenvolvimento econômico era alijado de muitos centros habitacionais em formação econômica, era importante se desprover desses preconceitos e alcançar o passado, pois ele sempre foi universal e mesmo não podendo ser recuperado, ele podia ser questionado. A busca nos processos históricos sem repeti-lo era uma permanente continuidade para a compreensão do mesmo e com isso os aspectos determinantes seriam aproximados, vivenciados pelas fontes documentais (matéria prima do conhecimento).

Toda verdade é parcial e encima disso é que se trabalham os interesses, afinal todo o sujeito é político e vive em constante mudanças, não vivendo a coincidência histórica no seu momento pleno; é feita uma associação do sujeito objetivando a sua volta com ele mesmo, pois não há partido que não defenda uma ideologia, por exemplo, “esse partido representa uma demanda verdadeira”. O legado é diferente de Partido. Os sujeitos que viveram em sociedades antigas tinham organizações com suas escolhas e subjetividades na sua maneira de viver.

Os medievos tinham sua vida sob a projeção do Annales, por exemplo, o Passado – Presente era uma relação dialética, o homem demandava a curiosidade do passado pelo presente, como no caso do trabalho das sociedades maias, astecas e incas. A nossa dimensão de subjetividade nos impulsionaria para discussões problemáticas, visto por exemplo no caso do papel da mulher na sociedade. Qualquer pesquisa fazia parte de um lugar social e o sujeito formaria uma agregação partidária, logo se tornaria um político da práxis de maneira sistemática com uma consciência coletiva.

A interdisciplinidade na história partilha nos campos do saber em todas as áreas, pois ela pode ser pensada como um objeto, neste caso, a idade média, sobre esse período pesquisa-se a numismática, filosofia, paleontologia, ...

A dimensão da realidade implica na cultura e estuda-a no mesmo indivíduo os mesmos meios da sociedade num comum a todo, isso não daria mais certo hoje, por que nossa sociedade se moldou pelos pilares do modo de produção e as sociedades antigas estavam travadas, hoje essas mentalidades representam muito, é a dinâmica da luta de classes. Os indivíduos passaram a se organizar com as propriedades agrárias pré-industriais, onde o meio de produção propiciou ao homem o acúmulo de riquezas e capital a partir do séc. XVI, com isso houve a separação do homem agrário gradativamente pelo processo industrial e fazendo isso as sociedades saíram do mercantilismo para entrarem no capitalismo industrial.

Trabalha também o aspecto da cultura que se fazia necessário por que não bastava estudar a produção sobre uma ideologia e com a ajuda de outras ciências, os outros aspectos da sociedade, não só os econômicos, mas todos os outros elementos que compunham a sociedade eram importantes para uma completa associação de idéias.

Onde não existia o conflito de idéias não existiria o desejo do poder, por exemplo, a autoridade de idade ou ainda a autoridade de ética.

Na autoridade de gênero, a divisão servil era uma divisão de poder e essa divisão ocorreia por que o homem sempre desejou o poder sobre o outro; o poder é histórico e antecede a afirmação histórica do sistema socialista. O campo socialista dentro de um modelo de produção era uma alienação dentro da mesma sociedade, coexistindo em vários elementos da comunidade, por exemplo, a divisão da ética nas lutas de classes, cultura e direitos, ou, a utilização melhorada no sentido de luta, lugar, contexto para melhorias, ou ainda, na luta de castas e o que ela demandava na luta social nos seus vários aspectos

A relação do Passado – Presente com a Interdisciplinidade: era usado o uso de fontes, a religião era um elemento de conservação, de um status quo baseado na subversão, manutenção e fundamentação. O tempo passa a ser integrado a sociedade capitalista, hoje vivemos um mundo pragmático que vai de encontro à filosofia.


Cenário Germânico

As invasões compunham o mundo medieval da época.


Síntese
Cenário Germânico: o autor representa a historicidade marxista pela escola inglesa e fez uma leitura da ocupação germânica no Mediterrâneo, onde os visigodos viviam e como eram suas organizações sociais no processo integratório do séc. II ao séc.VI d. C., onde posteriormente formariam a etnia germânica no Mediterrâneo.

A situação histórica era a habitação dos germanos nas regiões próximas da Germânia , Albânia, Espanha, que eram provenientes de organizações gentílicas na forma de trabalho e sua trajetória da Germânia a Roma pelo Reno e o Danúbio. Os germanos modificaram a sua própria organização correspondente ao contexto no momento das invasões: as migrações para o Mediterrâneo.

Invasões: analisava as principais causas ou fatores no processo histórico: a invasão (migração), não se falava de invasão romana, pois o romano é que considerava todo e qualquer tipo de povo que não o seu invasor, porém eles sim forma os autênticos invasores e ainda estabeleciam o domínio nos povos “conquistados”. A Itália não tinha uma agricultura que a sustentasse sua economia, havia então varias províncias responsáveis por isso, eram chamadas de celeiros, pois produziam os cereais, alimentos para a capital, as principais foram:
                                                                                 O norte da África e grande parte do Mediterrâneo, as terras orientais e principalmente a Península Ibérica (Lusitânia e Ibéria) compunham o império romano.



A estrutura política estava paralisada pelos germanos dentro do próprio império romano e em nenhum momento as migrações germânicas chegaram perto da expansão romana. A diferença de imigração para invasão, estava no poder estrutural político, havia uma relação histórica de invasão, a chamada dominação social por parte da invasão. As migrações eram sazonais por causa das necessidades, intempéries, pois os que migravam eram nômades, pastores, não havia interesse político de dominação.

Síntese: analisa quais as estruturas do mundo germânico e o mundo romano que se tornara o fundador e formador da nova sociedade: a feudal, era além de tudo moderna e européia. Nesse contexto foi retirada a vanguarda cultural germânica para o novo sistema feudal, o mundo medieval era considerado o mundo romano feudal. O parlamento não era mais fundado como feudal por que era considerado uma partilha do poder, não mais o poder absoluto nas mãos de um só rei. As diferenças começavam aparecer com esse novo modo de poder, o processo de imigração trazia uma ruralizaçao a Europa pré-industrial que era a terra, é errado dizer que o feudalismo dominou a Europa nos séc. V ao XV. Havia uma feudalidade misturada ao elemento importado quando se juntou a cultura árabe: ano 700... → até a queda de Granada em 1492.

Domínios metalúrgicos germânicos
As condições gerais do cenário germânico eram seus aspectos econômicos baseados na agricultura e só passaram a conhecer o comercio depois do contato dos romanos; desconheciam a propriedade privada e conheciam a propriedade individual por que tinham meios de trabalho de produção e de posse dos bens que não caracterizavam a propriedade privada. Os meios de trabalho eram usados como meios de trabalhos, pois por serem nômades, conheciam a matéria prima (fundiam o ferro). Não estabeleciam uma fronteira política para a consolidação de um Estado, nem havia relações diretas com a posse de propriedades.



Transição romana - germânica
Os germanos se sentiam pressionados com a cultura romana, por tentar continuar seus ritos públicos, tinham que suplantar essa nova força dominadora; as migrações precipitavam tudo isso, bem como muitas outras causas como a paralisação do trafego de escravos.


GENERAL ≠ IMPERADOR

Senado romano
As guerras civis aconteciam pela disputa de poder das elites romanas entre as próprias famílias, pois o conhecimento da propriedade privada e o comercio faziam a necessidade da expansão dos germanos abrirem uma nova realidade de excedente; o comercio passou a ser necessário não só entre eles, mas também em todas as esferas da sociedade. O coletivo caia e o privado assumia uma nova posição, as pessoas estavam se relacionando pela vontade de ter capital (valor e riquezas).

Comércio romano
O comércio passou a ser a principal fonte de riquezas no séc. XVI, os poderes colocavam os indivíduos em disputas pela divisão dos bens de produção, onde a sociedade medieval trabalhava com a terra e com isso implantava tecnologias que propiciavam uma serie de eventos e o progresso como consequencia, pois os poderes colocavam os indivíduos em disputa pela divisão social de classes e de produtos, as sociedades históricas formavam condições ideais para essa expressão e a divisão social do trabalho.

Produção medieval
Quando a produção surgiu, a sociedade medieval era a mesma que trabalhava com a terra, provocando avanços para o comércio (processo histórico tratado), era o novo valor embutido, a troca que até então não era comércio e sim uma necessidade. As sociedades capitalistas começaram como sociedades feudais, essa diferenciação, social dava aos produtos o conhecido excedente (era aquele que produzia a mais o produto e por isso detinha mais poder no mercado).

Danúbio e Reno, fronteiras naturais.
O Reno e o Danúbio eram limites naturais do império romano, pois com o frio, os rios congelavam e isso impedia o transito de tropas e navios. Invasões: saques ≠ dos processos migratórios, a população germânica não chegava a 10% da população romana, e estes começaram ruir por causas externas, problemas sociais, comerciais, e por suas posições no exterior; havia a possibilidade dos germanos crescerem mais que os romanos, porém nem tudo era uma questão de saque ou pilhagem dos engodos da guerra, os germânicos estavam em todo o lugar e se firmaram como uma religião pagã.

Houve duas grandes ondas migratórias (levas):

Fronteira visigoda


1ª Leva: Sistemática: os germanos não estabeleciam lugar para se estabelecer, eram os hunos, visigodos, etc. eram reconhecidos por não se conectarem com suas raízes, eles chegavam ao local, sobreviviam, mas não criavam laços.





Átila, o Huno
2ª Leva: os lombardos, francos, gauleses se caracterizavam pela divisão das terras aos romanos, havia uma sistematicidade de peso dos romanos na propriedade, no exército, eles eram tidos como povos sujos, bárbaros, invasores, eram considerados um povo sem classe nem organização por não serem iguais aos romanos. Esta segunda leva foi mais sistemática, por que ela começou a criar os reinos, monarquias, criou uma síntese, uma fusão de dois modos de produção que originaram o feudalismo.

Tomada do templo de Jerusalém
Todo êxodo sempre produziu um deslocamento negativo para qualquer povoj, por exemplo, os judeus e sua diáspora eterna. A igreja se constituiu como o grande aqueduto, pois os romanos foram conhecidos pela sua geografia que se debandou e conseguiu sobreviver com suas multipluralidades culturais, era a produção do saber.

Francos
Na 2ª leva, os francos eram o povo mais organizado e compunham um grupo de mais ou menos 1000 a 2000 pessoas, muitos deles se perdiam no caminho por causa das lutas, do clima sendo que o Reno era um grande problema natural, pois eles dificilmente sobreviveriam as intempéries do gelado inverno.


Lewis Henry Morgan
“A história do clima” era como o homem interagia com esse elemento da natureza e o que poderia aprender com isso; não havia como maximizar as guerras, Morgan já dizia que o Estado se tornara necessário para a classe como aparelho opressor ou empreendedor, pois ele era um produto da sociedade que estabelecia o processo de bens e de grupos com comando sobre os outros.






Os germanos produziram os reinos e os Estados medievais como uma configuração clássica da política, tendo os senhores feudais e seus principados os operantes de defesas por causa das dificuldades que se encontravam as fronteiras; o poder medieval era regionalista por que o individuo passou a ser o novo dono de seu território, como não havia o direito, não havia a ordem, por isso a necessidade de se fazer um Estado organizado; essa organização só passou a existir como estatal a partir do séc. XII e XIII, pois eles passaram a copiar tudo dos romanos. O império romano legou a humanidade as instituições do direito.

As guerras eram representadas pelo povo germano e como os africanos eram vistos como escravos, a guerra era tida como a historicidade dos povos. A fusão foi muito importante para mito e mais profunda do que se pode imaginar, pois ela mostrava o mundo medieval também como uma estrutura dos germânicos com seus mitos, religiões e rituais, quase que valorizando não só apenas os romanos. Roma tinha preconceitos assim como os helenos em relação aos outros povos, principalmente contra os germânicos, asiáticos e africanos, pois eles viviam em comunidades que firmavam suas leis desconhecendo segundo os romanos as leis, regras e pensamentos, por isso encontravam a descriminação das outras sociedades, era uma espécie de estranhamento. 


A origem do preconceito se deu quando os helenos chegaram à Ásia e África e encontraram os povos. que não falavam seu idioma: Francos – Gália, Lombardos - Itália Bretões e Saxônia - Inglaterra. Isto pode ser visualizado na pintura: "A Maldição do Império: Destruição” de Thomas Cole retratada no ano de 1836. 


Poderio helênico
A temporalidade era muito importante para a construção do espaço, onde a história viva trouxe uma síntese dos autores da antiguidade como o outro lado do conhecimento dos outros povos que se firmaram a pesar de sofrer o preconceito dos helenos; os povos romanos inicialmente eram considerados estrangeiros pelos gregos, o critério cultural iniciou o processo de inferiorização que se estendeu ate o séc.XIX, pois eles pensavam de maneira racista como os gregos, bem como a própria igreja medieval da idade média. Nada do que os romanos ou germanos produziam valia a pena por que eles não eram bem vindos pela cultura dominante helena.

“Nós os chamávamos de bárbaros”, era a frase que se pronunciava em forma de preconceito a língua, isso vinha da raiz, pois a pronuncia das palavras dava a entender que eles estavam balbuciando ou grunhindo, isso incomodava os gregos pois diziam que viviam em desarmonia, em desordem, a sociedade não era urbanizada e tinham um problema de organização social entre eles, pois os outros povos se organizavam pelos seus parâmetros culturais. 


Gilberto Freire
Eram considerados primitivos, os primeiros que se comparavam a selvagens, rudimentares pelo seu jeito de se vestir e da forma como agiam, por exemplo, quando os escravos antes dos anos 80 não formavam núcleo familiar. Gilberto Freire estudou isso e começou mudar essa forma de pensamento nos anos 30, afinal eles moravam em senzalas e isso não era considerado centro de formação de família, como no caso de quando Cezar ocupou a Gália (França) escreveu que no séc.I da era cristã, a forma de viver dos francos/germanos era selvagem e que não sabiam como se vestir, comer, e não eram civilizados.

O impacto dos germanos com seus costumes em relação a sociedade romana e grega não justificavam esse tipo de preconceito; os historiadores do séc. XIII eram altamente preconceituosos por que tinham ferramentas que não existiam na época dos cezares, e nem se comparavam com os romanos ou gregos na época da ocupação das cercanias germânicas. 


A Integração Plena se deu quando as civilizações se encontraram e houve uma fusão dos povos, colocando em cheque a produção dos períodos, enquanto por outro lado, o materialismo se fixava cada vez mais, os germânicos não tinham o modo de produção escravista, e foi exatamente isso que gerou o excedente, pois a produção era desconhecida por esse povo, até entrarem na sociedade econômica, era um povo agreste e não apresentavam chances de crescer.

A História dos Clãs era conhecida pelo modo como os clãs procediam, pelo seu modelo de conduzir as coisas para inovar e se organizar a .... HISTÓRIA:

Toda sociedade produziu independentemente de sua maneira de ser ou agir o suficiente para a sua sobrevivência com seu modo particular de produção e com meios diferentes em relação a escrita por apresentar ou não critérios para fazer a sua história ou não. Os germanos em termos de significado eram considerados primitivos por que eram agráfos, mas eles não precisavam de uma grafia, bem como os africanos não apresentavam letramento para a história.

Auteridade: conhecimento ao desconhecido, a tese era de que eles entraram em choque e produziriam uma nova cultura; o cristianismo era uma religião do ocidente e quando o politeísmo foi abandonado, teve-se a idéia de que os deuses haviam abandonado os césares, sendo que o cristianismo se formaria de idéias judaicas. A idéia que os romanos tinham desses povos considerados bárbaros pelos romanos era de um universo de subversão, por isso a escravidão era criticada, pois o império era politeísta e se incumbia de um único deus. O paganismo, o toteismo tinham certo mal estar cultural por que eles já vinham de uma herança germânica e estavam envolvidos em um paganismo diferente, isso estava incomodando o modelo romano. 


Os augustos fizeram um modelo macropolitico fundado nos deuses, onde Roma passaria a “ser” cristão em torno do séc. III E IV com o evento de Constantinopla; a idéia de que os deuses abandonaram os cesares se deu por que a idéia de substituição para o monoteísmo que era uma nova ordem religiosa seria algo impensado dentro do culto ao físico e ao imperador, o culto a pessoa. O mundo bizantino era iconoclasta e por causa disso, todas as estatuas começaram a ser quebradas, juntamente com a política dos cesares.





Houve uma extenção no processo de organização do ocidente, bem como nas suas formações, estruturas, destacando suas culturas e simbioses, não sendo apenas um simples choque cultural, não era só mais uma síntese, pois estabeleciam características como não estabelecer relações na política, os germanos eram estabelecidos como bárbaros com uma cultura de nível inferior, a preocupação estava na antropologia, pois era o momento que se estabelecia a analise a fusão sobre o impacto aos limites do império romano, sobre seus costumes e os costumes dos outros povos, diferenciando as relações ou mostrando o impacto do culto pagão.

A antropologia lidava com o conhecimento da história e a sociedade de produção como centro de investigação, absorvendo os dados do cotidiano de uma vida , citando os grupos e suas relações com o cristianismo por exemplo; o império definhou, mas as estruturas permaneceram com projetos hegemônicos do império desde o Mediterrâneo as estruturas do mundo antigo em se preocupar com o seu não desaparecimento, foi assim que o império romano sucumbiu, mas a sistemática continuou. 


Constantino e Deocleciano
Os governos de Constantino e Diocleciano foram os últimos governos que tentaram com reformas administrativas reerguer o império, o cristianismo porém entrou com uma proposta de firmação política sem precedentes na península ibérica. O Mediterrâneo era o “mar nostro” para os romanos; o ocidente também tinha nascido das ruínas do império romano que era considerado o modelo colonial imperante por muito tempo; a Península Ibérica só viraria medieval no séc. XII porém em outros lugares isso aconteceria séculos antes, o modo de produção havia ocorrido tardamente no medievo ibérico. O modelo de produção não foi todo histórico na Europa feudal, não sendo ele só centralizado, pois sua produção não era só para o mundo romano e sim para os germanos também.

LIMES é uma fronteira ou um limite natural, no caso do império romano os rios Danúbio e Reno; a capital romana era sustentada pelas ilhas mediterrâneas da Sicília, Sardenha e Córsega, onde se destacavam pelo comércio de Roma com as urbes por causa do trabalho escravo; o mundo era todo camponês, diferente do mundo grego e romano, a tradição técnica anterior (helena) fez se pela tradição do que eles pré diziam e depois foram utilizadas por Alexandre e pelos bizantinos. A crise do séc. III viria a ser uma nova estrutura por que havia lutas internas e lutas políticas, por exemplo, o Senado, as lutas do ocidente contra o oriente.

Constantinopla
A construção de Constantinopla era mais grega do que romana, embora fosse romana por que era tida como a nova Roma do oriente, como resposta por que essa nova capital ocupava a região de Bizâncio (colônia grega pela sua localização geográfica), ela surgiu como resposta por que ficava entre o mar fechado e servia como estrada. O império romano do oriente fundava uma nova ordem de possibilidades de administração bizancia-constantina. Istambul passou a ser o novo império otomano do séc. XV, essa projeção política começou a se orientalizar e se contradizer por que Bizâncio era oriental, isto é, era habitado desde que era colônia habitada por gregos, sírios, egípcios, romanos, todos primavam pela sua identidade, era um processo de firmação do império romano no ocidente com uma nova hegemonia grega e não romana.

Surgiria assim dois modelos de igrejas, escola, de políticas, nesse ínterim, Bizâncio passa a ter uma nova postura por que tem no fundo a colonização grega, não padronizada pelos romanos. Os germânicos não conseguem chegar a Bizâncio por causa da localização geográfica, pois ao norte da África os germanos não tinham esse arsenal para chegar ao norte africano nem por mar ou terra.

Invasão saxã
A Bretânia também sofreu tentativas de invasão, os saxões e os bretões conseguiram, este fato por sí só ajudou o império romano sucumbir, isso só foi possível por causa justamente dessas invasões. A primeira invasão foi asistematica, chegaram e não ficaram, a segunda invasão sim foi sistemática; os outros povos sucumbiram ao clima, as políticas, outros não tinham prestígios pois não havia uma convergência nesse espaço político administrativo.

Escravos na época dos romanos e britânicos
Outro motivo da queda do império romano foi à paralisação dos escravos, os donos de escravos ganhavam com as colônias e com os escravos, esse tipo de escravidão era perversa, quando eles não eram usados na lógica do serviço eram traficados, muitas vezes eram usados como troca por especiarias, a servidão não foi tão explorada quanto o escravo, ele se diferenciava por que o processo de fixação sobre a terra e a sua sobrevivência pertenciam ao servo, era um costume que estava escrito na tradição oral, o servo não podia ser vendido sem a sua terra, a servidão tinha outra idéia de posse. O escravo não tinha direito a nada, não se incumbia de nada, ele era visto como algo que não servia para nada socialmente, somente para trabalho.

O mundo medieval sofria com a crise do trabalho que se opunha aos patrícios e plebeus, causando o descontentamento dos indivíduos pobres, escravos e germânicos; a igreja atuava como um canal destas estruturas de vocação política autoritária do império romano, institucionalizando-se como uma nova ordem, ela passaria a ser o aqueduto que ligaria essas novas estruturas, se fazendo presente em termos de poder. A crise começaria a se aprofundar e criaria movimentos perigosos mostrando a fragilidade e a vulnerabilidade do império romano , isso era a história, não produzida pelas invasões, mas por um conjunto demográfico de deslocamento. O império romano foi o que mais sentiu com essas migrações por que demonstravam toda sua fragilidade; o assalto, as pilhagens favoreciam esses movimentos para que houvesse esses deslocamentos demográficos, toda essa logística de invasões era produto desse impasse criado pelo império por passar a imagem de que era inabalável e inatingível, causando um desgaste do seu poderio, a igreja colaborava com o império, tentando enfraquecer esse movimento, se aproximando da cultura romana. 


Santo Agostinho
Santo Agostinho dizia que o mundo de paganismo seria desgraçado, ele era a favor da defesa da fé, foi o famoso período da PATRISTICA, o discurso da defesa da fé, ele falava da culpa dos gregos e romanos por isso, o mudo se desregraria ao paganismo, a superstição, a mitologia e ao politeísmo. Roma tentava se reorganizar em sua forma social agindo de acordo com seu modo de pensar, agir e ser, porém sua glória seria sua derrocada. A primeira reforma política quem fez foi Carlos Magno. A situação era de crise social , haviam pessoas (romanos) que se auto flagelavam pela inferioridade dos próprios germanos, ou ainda a quintessência (flagelados) onde descreviam o Estado germano e a massa romana em situação de igualdade.

Salviano enxergava o local e não o todo, ele era preconceituoso por que assimilava as circunstancias e interesses múltiplos; a descrição dos generais romanos não eram descrições “lisonjeiras” em relação a Gália germânica, a partir deste local eram menosprezados como animais selvagens. Le Goff antropolizou a leitura dos pensadores desse período; o processo de cristianização estava relacionado ou não a uma cristianização solta, era um processo relacionado a forma como os germanos tiveram que se assimilar a essa nova cultura, eles não se cristianizaram de uma hora para outra, mas participaram do processo de entrosamento do paganismo pelo fato de estar entrando em crise, era uma idéia que já estava se fazendo presente, porém não foi uma cristianização de cima para baixo, pois tudo era algo negociável salvaguardando uma cultura que se fazia presente. Toda evangelização era feita pelos monges em terras não desbravadas, pois isso era o monoteísmo e nem sempre ocorreu de forma automática.

Clóvis I
O mundo romano havia evoluído para o mundo germânico de cima para baixo, negando o processo de convergência, pois mesmo se essa crise paga sobrevivesse, os costumes seria retomados, levando em conta a vida e os costumes. A Lei sálica era o código legal datado do reinado de Clóvis I no século V utilizado nas reformas legais introduzidas por Carlos Magno, onde regulavam todos os aspectos da vida em sociedade desde crime, impostos, calúnia, estabelecendo indenizações e punições, era uma lei ligada ao imposto dos costumes dos francos, sendo ela rigorosa para quem transgredisse as leis de qualquer forma de cultura. O penitencial irlandês era uma tradição bíblica alheia aos costumes dos germanos, negligenciando os aspectos de sua cultura, ocorrendo uma vitimização, como no caso da história italiana e a realidade do seu povo.

Representatividade da Alta Idade Média
A historia medievalista tentava diminuir esse tipo de pensamento, pois o séc. VIII mais conhecido pela alta idade média que abrangia a Inglaterra, França e Portugal se faziam presente o poderio cristão; a tese de Vouchez que era orientado por Le Goff era uma tese de espiritualidade da Idade Média por volta do séc. VIII onde o ocidente já estava evangelizado através da monástica pelos monges, chegando até a modernidade, por exemplo, as Américas portuguesa e espanhola foram catequizadas pelas missões


Evangelização monástica
Evangelização monásticaCultura Monástica: era uma cultura de evangelização regulada pelo clero das seguintes ordens: monges, clero, franciscanos, beneditinos.
Cristianização convergenteCultura religiosa pagã: os indivíduos se tornavam cristãos aos poucos e se conformavam com o batismo; os medievais tinham uma religião imposta como uma ordem social.
Leitura antropológica relação com Processo dialético: a cultura religiosa germânica: sobrevivia de ritos, cultos, ancestralidades, animismo, toteismo.
A cultura religiosa hegemônica: era cristã e vivia de: livros, liturgia, dogmas, dizimo como obrigação social.


igreja mogética (culto a imagens) se fazia presente pela.oralidade, onde quando os camponeses voltavam para suas aldeias, rezavam, faziam seus ritos, cultos, e pagavam seus dízimos; era tudo uma questão de dialética convergente, pois a espiritualidade era para sociedade uma ordem. A cultura religiosa germânica era pagã, isso a diferenciava da religião dos romanos por que eles tinham suas tradições e tinham a convicção de que isso era de cima para baixo; a religião romana imperial mais tarde viria a se tornar o cristianismo, no imperialismo passou-se a criticar o escravagismo do próprio império.



Os germanos mediaram a convergência por que a sua cultura era de outro sentido a religião com os seus significados já existentes, esse processo era conflituoso, com choques e estranhamentos entre esses povos, por causa dos processos forçosos como no caso das migrações. A mediação entre os romanos e germanos foi a pratica do monasteismo, isso foi um intermédio entre duas civilizações por causa dos cultos as relíquias, milagres, homilia, afastando-os de sua cultura. A igreja clerical era a de vida voltada aos princípios, mas que na pratica aproximava os reis ao estado católico, eram elementos dialéticos por que convergiam e divergiam ao mesmo tempo, onde se discutia a cultura desses povos, por isso da religiosidade não ser uniformizada.

Espiritualidade na Idade Média: (séculos VIII a XIII).
1. Diferença entre a espiritualidade (subjetividade) X religião
2. Religião = Ordem Social. Não se envolviam afetivamente, pois não tinham escolhas.
3. Ritual X Liturgia. Era um mundo que nascia associado ao Estado, onde Carlos Magno se considerava rei e estava associado a Roma.
4. Fundamento Teórico: Antigo Testamento + Levítico. Tratava de questões associadas em como os clãs viam Deus, como o patriarca estabelecia essa ordem, pela qual os germanos tinham que voltar as regiões e preceitos morais.
5. Cristianização do Ocidente (± séc. VIII). A organização seria a do monaquismo (foi estabelecido o dízimo ao povo especializado na nova religião)
6. Evangelização via Monaquismo (cultura de evangelização dos monges)
7. Oficialização do dízimo e do corpo especializado na oração (os ditos novos funcionários: padres)
8. Sobrevivencia da cultura dos germanos (paganismo). Era uma questão que estava relacionada a uma transgressão da chamada cultura da igreja).

Tudo o que não era cristão era considerado pagão (paganismo: era um processo de transgressão em relação à chamada cultura dominante), que sagravam os sacrifícios pelas superstições, oferendas, toteismos, animismo (forma de associar um tipo de significado aos seres inanimados), por exemplo a pedra, chuva, raio, sol, lua.

André Vauchez
Vauchez fala da espiritualidade e religiosidade da Idade Média e a forma como os germanos sofreram e qual foi o tipo de resistência desenvolvidos por eles contra o ocidente e a igreja; a igreja havia assumido o papel de organizadora do Estado no sentido jurídico e evangelizador, fazendo com que os germanos sofressem aos poucos essa evangelização na Grã Bretanha, Inglaterra, Espanha, Itália e Portugal, eram todos evangelizados por essas missões. Vouchez abordava isso superficialmente, dizendo que os cristão eram todos supérfluos, pois eles pagavam o dizimo, rezavam sem saber o que aquilo significava. As pessoas estavam submetidas a uma ordem social que atingia a elas próprias e não a sua espiritualidade, pois o homem continuava a adorar os ídolos, totens, para eles a religião era mista e social.

Estado Laico
A relação de cima para baixo assumia o papel de opressão, pois para o cristianismo ocidental isso não passava de uma hegemonizaçao, dada por uma ordem social diferente da religiosidade. As pessoas aceitavam as ordens, o ritual, a liturgia, o calendário, a profissão, a fé, pagando pelas obras, pois a ordem social não era exatamente uma ordem social, era um cumprimento de deveres e não de direito. A religião passou a ser uma instituição, um corpo social que assumia o aspecto de Estado por que o laicismo era direto e servia como uma prerrogativa de mando do Estado civil. Vouchez dizia que ao entrar no campo das mentalidades as sensibilidades emergiriam a espiritualidade e a religiosidade.

Ordem social de "cima para baixo"
A religião servia para unir o homem a Deus ( ? ), a idade média era um período de fé por que a evangelização era presa ao massacre religioso, porém não tinha objetividade, subjetividade nem variedade, fazendo assim submergir os grupos sociais da história social, pois ela era vista de baixo para cima: marginais e excluídos, passando a estudar os sentimentos desses sujeitos: bruxas, hereges, camponeses, leprosos, homossexuais. A religião era evitada pelos grupos sociais por causa do mundo em que eles viviam os germanos cobriam essa ordem social, os germanos eram encobertos por uma nova ordem social voltados para a sua cultura que negava essas instituições:

TEORIA PRÁTICA – SUJEITO-EXPERIÊNCIA

A história sai do censo comum sendo ela a responsável por dominar a ligação nas questões do campo civil, religiosidade e identidade, considerando a religiosidade não era só uma ferramenta de opressão, mas como um elemento respeitável de protesto social que se diferenciaria da ideologia, usando o termo religião como uma fase relacionado à sensibilidade e ao mesmo tempo um elemento de subversão da contra cultura. A religião é a historicidade de alguns povos como foi o caso dos germanos, sendo essa uma forma de resignificar o seu sentimento em relação à cultuação da leitura totêmica e transcendê-la.

Concilio de Trento 
Como a religiosidade da igreja, existia a partir daquele momento um corpo de especialistas para profissionar esse novo modelo de ensinamento, eram os sacerdotes; a igreja assumiria então as divisões de gênero dentro de sua estrutura, havia nesse novo modelo a volta ao Novo Testamento ao Levítico por conta de uma idéia de moralidade pelos monges beneditinos através de abadias e casas monacais; com o Concilio de Trento houve uma expansão da catequese, confissões, missões e confissões, na Alta Idade Média (primeiros tempos) ou Alta Idade Média onde a igreja expandia seu poder de sensibilidade e espiritualidade cristã.

Eremitas e cenobitas
A igreja se diferenciava dos sentimentos e das mentalidades, esse novo corpo de funcionários se especializaria nos cultos através do monges e clérigos que davam importância as novas ordens sociais, fossem elas seculares (papas, bispos, arcebispos) ou regulares (regras, cânones). 
Os monges eram:
Eremitas: eram regidos pelo voto de castidade, voto de castigo (individual).
Cenobitas: propunham uma vida regrada a simplicidade, viviam em comunidades, além de criticar a materialidade do mundo real pelo apego e ao apreço da carne, isso para eles era uma forma de contemplação a vida. As ordens regulares estavam ligadas a uma vida de contemplação sendo eles os responsáveis pela evangelização dos povos bárbaros, a classe era uma ordem regular e não secular, como no caso da Ordem de S. Bento. A igreja era impressa na ordem material e se defendia citando o Antigo Testamento para os preceitos morais para uma conversão. 


Cristianismo primitivo
O lúdico dizia que o judaísmo (cristianismo e islamismo: tidas com as religiões revelação) eram regulamentadas por preceitos dos patriarcas onde eram reconhecidos pela figura da sua autoridade. Esse preceitos estavam presentes nos modelos do cristianismo primitivo; a circularidade celta, os “selvagens bárbaros” eram levados a práticas do Antigo Testamento, sendo ela toda magética e oral.

Comunidades celtas
As comunidades celtas eram tidas como incultas e selvagens e por isso era necessário a volta ao Antigo Testamento para poder doutriná-los, utilizando a magética oral, pois a palavra seria o grande instrumento de evangelização, sendo mais eficiente do que a ponta da lança ou espada. Cada sociedade tinha sua cultura de guerrear em nome da fé, afinal tudo ficava dentro de uma simbologia em volta dessas lendas. O sacrifício passaria para o segundo plano, a linguagem passaria a dominar a fronteira entre os germanos e os cristãos; as explicações de determinados mistérios aproximariam os cristãos dos germanos, pois a nova doutrina carolíngia passaria a falar do passado de suas celebrações aos rituais ministrados, pois essa havia sido a forma que a igreja encontrara para ensinar, sendo essa uma realidade considerada distante dos germanos.

Religião X Religiosidade

A sociedade não poderia mais ser avançada pois não dominavam a leitura, só observavam e escutavam, o Estado então se aproximou da igreja através do relacionamento cotidiano através da vida social das pessoas, onde a igreja partiria para uma forte campanha na vida religiosa desse povo, Os sacramentos eram moldados encima desses germanos na sociedade pelo casamento, em suas casas, suas festas, as penitências assumiriam o papel de disciplinar a vida publica, como se Fossem a defensora dos bons costumes, haja vista com o que eles não conseguiam normatizar alguns desejos do corpo; o casamento era tido como algo sagrado para a religião, porem ele era visto como objeto de desejo aos olhos da igreja, e isso iria contra os princípios da criação, sendo necessário a presença da instituição religiosa para “conter”esses pensamentos nefastos. A igreja acompanhava as mudanças da liturgia desde que não fosse contra seus dogmas, por essas imposições os germanos voltariam para os sacrifícios de sua cultura.



Religiosidade Bizantina (oriente) e o império bizantino.

Principal questão: Vaucher criou o processo de cristianização, sendo este um texto de comparação, onde era apresentado como forma de resistência e colocava o cristianismo sob uma forma de obrigação. Os evangelizados tinham formas de exprimir seus sentimentos, suas vivências que eram particulares, porem era uma forma de pensar a vida, eles não abriam mão de seus cultos, sacrifícios por não serem só cristãos, esse comportamento era uma forma de pensar e viver a vida; quando surgiu o cristianismo, isso surgiu como uma forma de administração:


A cristianização dos germanos

Não havia reflexões, nem criticas sobre o material de assunto religioso, havia sim uma imposição de regras cânones, ou seja, não se discutia nadaou seja, o dízimo era dízimo, ou ainda a bíblia não era objeto de reflexão ou crítica, haja visto que sua liberdade era cerceada. No oriente o culto de modo reflexivo havia conseguido terreno por causa das várias culturas, afinal elas eram descendentes na sua maioria de colônias gregas que agregavam colônias de muitas localidades das cercanias do antigo império heleno; havia uma diversidade étnico cultural muito forte que proporcionava o dialogo sobre questões relacionadas sobre a fé, eram os indivíduos que mais participavam no oriente, as pessoas tinham liberdade para fazer o que desejassem.

Patristica: eram um conjunto de escritos da idade média formada por padres e teólogos que se reuniam para fazer uma leitura filosófica e teórica da igreja, como no caso de Sto Agostinho ou as escolas de padres que pretendiam as regras e santos. Na alta idade média houve o movimento apologético que era a defesa irrevogável da fé, eram dois momentos onde os padres e intelectuais estabeleciam o controle imediato da base humanística com a filosofia grego romana. Na baixa idade média havia movimentos escolásticos, universidades, culturas urbanas, além de um dinamismo da sociedade em se firmar aos princípios pelo corpo especializado formado por padres responsáveis pela igreja, por exemplo, o controle da religião ou ainda o controle dos sacramentos.

Os germanos por sua vez faziam um contra ponto suscitado que deveria ser trabalhado ente a religião do oriente e a sociedade. Vauchez dizia que a religiosidade cultural era um conjunto de práticas culturais ou culturas (germanas) que cultuavam os sacrifícios e adorações a natureza. Nesse ínterim a igreja começa a ser maleável, pois os documentos produzidos por ela sinalizam outras práticas que deveriam ser punidas ou assinaladas. Os germanos começavam a ser cristianizados e a ser tolerados.

Cultos Oficiais era através dos documentos oficiais que as práticas de vida eram revelados pelos cartulários produzidos pela ordem dominante, por que no momento que era a narração obtidas desse tipo de material historiográfico que traziam experiências de praticas e formas de vida, porém eles não haviam sido produzidos para esse fim, sua intenção era bem o contrário, haviam vários tipos de documentos:

 

Corpo documental de documentos medievais:

No afã de punir, eles narravam a vivência dos outros, esses documentos eram produzidos por uma casta de intelectuais da igrejaj, por exemplo, os teóricos e teólogos, responsáveis por produzir documentos que escamoteavam a vida simples, mas que revelavam sua vida, suas adorações, suas superstições, suas idolatria por amuletos, a apologia aos seres inanimados, além da veneração a totens e a prática de tabus e feitiçarias.

A igreja precisava ser presoletista, devendo atingir as pessoas que não dominavam a informação e a reflexão, o engodo pegava o incauto de surpresa, pois a igreja fazia uma relação de manipulação a comunidade, fazendo de forma permissionista ao individuo que não tinha acesso a qualquer tipo de informação, por que a religião não havia produzido mais nada disso na era cristã; não havia mais uma pratica de expressão, agora tinha uma produção de tradução onde as pessoas não tinham forma nenhuma de expressão, nada se relacionava ou se contra punha a fé.

As heresias formavam elementos produzidos por uma parte do alto clero ligada a um grupo de intelectuais para manter o controle e o poder através do material da fé que não se discutia, mesmo não atingindo seus objetivos. A religião era diferente da religiosidade, pois esta estava ligada a um sentimento, a uma sensibilidade, a uma ordem social . A confissão era uma forma de auto controle, eram processos perversos de poder, inicialmente ela era publica e coletiva, no séc. XIII passou a ser individual e particular, pois a igreja percebeu que poderia lucrar com o sentimento de culpa dos fiéis e cobrando ela teria o poder de absolvê-los. Esses documentos de confissão eram elaborados pela policia da igreja, pois o individualismo se colocava como sujeito da história, o Estado e a Igreja produziriam uma intelectualidade civil e tirariam do sistema e colocariam no contexto.


O Império Bizantino

O império bizantino foi de suma importância para o ocidente cristão quanto para os mundos muçulmano e eslavo, seu nome por si só já é questão de problemática, por que não tem conotação de etnia, mas sim de civilização direcionado a quem fala o grego e a religião cristã ortodoxa. A vulgaridade quanto ao nome deu-se a partir do séc. XVI depois do desmembramento com o império romano. De certa maneira isso fazia algum sentido, pois o que era agora o império bizantino, o império romano havia sido um dia, um dos pontos em comum que essas duas civilizações tinham em comum era o idioma, elemento determinante para direcionar suas vidas e pensamentos.

Nesse sentido os bizantinos haviam herdado dos romanos e dos gregos o mesmo modo de pensar em relação a quem não era bizantino agora era rotulado como bárbaro; esse novo estado bizantino foi a fusão de várias culturas, povos, civilizações vindas de todas as partes daquela época, se misturando principalmente com a raiz latina e os elementos greco-romanos ocidentais e dessa fusão surgiria essa nova formação de povo com suas características próprias, sendo esse um dos fatores para que esse entendimento se tornasse um tanto frágil, pois o idioma grego era sinônimo de requinte e a idéia de um imperador visto como um semi-deus era inconcebível para os ocidentais, afastando-os assim dos ocidentais.

Até mesmo o cristianismo que serviria de “ponte” acabou por se isolar, os orientais sempre foram considerados mais especulativos do que os cristãos, eram mais voltados as tradições religiosas mais antigas no contexto egípcio-mesopotamico, além da filosofia grega, já o cristianismo era voltado para o sentimento e reflexão. A igreja era tida como um conjunto de fiéis, vivos ou mortos, para os ocidentais ela era vista como uma espécie de pratica religiosa que não poderia ser objeto de estudos, daí ela designar um novo corpo sacerdotal pra trabalhar essa questão, onde essas pessoas monopolizariam o dom da palavra e os meios para conseguir chamar essas pessoas para o “seu lado”.

Constantinopla
Constantinopla era de fato uma ex-colônia grega e havia sido transformada em capital do império bizantino pelo imperador Constantino em 330 pela sua privilegiada localização geográfica, situando-se num centro comercial em todas as direções, além de estar estrategicamente favorecida pelas defesas naturais, isso fazia dela o maior centro habitacional do mundo antigo, superando qualquer outro império até então. Pelo fato de ser exatamente esse entre posto de pessoas, era natural que sua cultura passaria a adquirir um pouco de todas as culturas, mesmo apresentando preconceitos em relação a isso, era impossível não se render a toda essa aculturação.


Todos os setores de Bizâncio foram influenciados como se podia ver na arquitetura das igrejas, catedrais, estatuas, pinturas, o direito romano e principalmente a filosofia grega; a ciência seguiu os mesmos caminhos, a capital bizantina havia se tornado um forte referencial para toda a Europa e principalmente para a Itália, onde futuramente seria a representante do renascimento dos séc. XV – XVI e por causa desse fato a modernidade estava cada vez mais próxima, isso porém não acontecia de maneira isolada, as estruturas de modificação eram ligadas umas as outras.

As Estruturas Religiosas

O homem era um misto de tudo que se poderia imaginar, frente a isso, tudo o que fosse feito demandava uma análise política, econômica, cultural e qualquer outra manifestação humana, sendo necessário uma metodologia; no caso do Bizâncio isso se aplicaria a religião, responsável pólo poder do imperador motivado a uma justificativa de uma política exterior onde trabalhava o significado da produção cultural, onde se considerava fatos e acontecimentos desde o cotidiano social até a vida e a morte, mais do que isso, o império representava o que viria a ser um “pedaço do reino dos céus” na terra, uma cópia perfeita do que o homem poderia esperar, por isso o homem deveria ser justo e penitente, mas como ele não era, o fracasso de Bizâncio foi atribuído a isso, por ser dominado pelo pecado, o próprio Deus puniria a capital e baniria esse pedaço sagrado da terra afastando-a das prelazias divinas.

Essa religiosidade pode ser observada em três episódios: a extensão e influencia da estrutura eclesiástica, a exaltação da espiritualidade popular e as controvérsias teológicas com pesados desdobramentos políticos e sociais. A igreja se considerava a herdeira legitima dos poderes divinos, pois ela se julgava interprete infalível das coisas divinas e humanas, convictos de que não eram inferiores a ninguém e poderiam assim se apresentar como senhores e juizes dos dogmas impostos por eles; foi assim que se deu a mistura bizantina do tempo e do espírito, o imperador possuiria esses dois elementos, mesmo assim teria como um “conselheiro” o então criado “patriarca” para ajudá-lo nas questões divinas e terrestres. Esse novo cargo viria a suprir algumas passagens da história bizantina onde ele faria o papel do representante máximo na falta de qualquer regente que fosse chegando ao ponto de muitas vezes ser superior ao próprio rei a ponto de ter o poder de excomungá-lo e fazer com que pagasse por penitencias aos ofícios religiosos.

Igreja católica e o imperador Constantino
Esses personagens representariam a concórdia do ponto de vista espiritual e material a capital Constantinopla, abaixo desse cargo havia toda uma “legião” de representantes para cuidar do povo, distribuídos nos cargos de bispos, arcebispos e padres; a partir do séc. X os bispos foram solicitados a conviver com os monges, onde esse fato elevaria o seu nível moral e diminuiria o seu nível intelectual. Com essas mudanças as pompas do prestigio desses representantes foram decaindo e a popularidade monástica aumentava significativamente a ponto de existir quase 200 mosteiros para 8 igrejas. Com esse sucesso a realidade começou a mudar a ponto de todos os donativos doados aos mosteiros enriquece-los tanto que em certos momentos da história desses representantes sua vida mundana falava mais alto do cargo que deveriam representar.

Os monges foram responsáveis por evangelizar os povos da Europa Oriental, ampliando seus poder e influencia sobre os bizantinos, destacavam-se também por se diferenciarem da vida monástica que era a representação de antítese da vida social. Segundo Ducellier: “o monge, é de todos os pontos de vista, “um anarquista”, sendo o personagem mais popular da sociedade bizantina. A igreja de Bizâncio sempre esteve mais próxima da religiosidade popular do que a igreja ocidental, em Bizâncio não se estabelecia uma regra teológica rígida a ser seguida pelos cristãos, havia sim uma tolerância em relação a isso, onde cada individuo poderia escolher a sua salvação da maneira que desejasse; por causa desse tipo de pensamento era natural que as controvérsias religiosas estavam adentrando campos nunca imaginado antes, começando assim uma nova etapa da religião em Bizâncio, onde não raramente as discórdias mais inflamadas terminavam em violência.

Esses preceitos estavam voltados na sua maioria aos preceitos religiosos na questão da graça divina, isto é, o sagrado presente no meio dos homens e nesse meio buscava-se o ponto de equilíbrio entre o mundo material e espiritual, fato esse que na maioria das festas publicas e privados o laicismo não era exclusivo; a liturgia se fazia presente no sagrado humano, muitas vezes revivido pelo evangelho que a isso era incorporado como forma de inovação a introdução do teatro, do drama, onde cada fiel pudesse se identificar nesse tipo de representação. Essa mudanças foram levadas tão a sério que aos leigos e ao clero que faltasse mais de três vezes a um culto desses, seriam automaticamente excomungados e depostos, a liturgia não era mais uma representação, mas uma atualização do fato perante Deus. 


Tudo era trabalhado de forma a sublimar a vontade divina e cada ato não era mais só um ato, agora possuiria nova interpretação, a ponto de transformar as pessoas em testemunhas oculares, essas mudanças foram tão importantes que chegaram a interferir na arquitetura das novas igrejas com cúpulas cada vez mais ostentosas de luxo e uma representatividade próxima de alcançar os céus pela altura de suas torres e em seu interior a imagem de Cristo era montada de tal forma que a impressão que se tinha era de que esse representante divino estava o tempo todo olhando para o homem com um olhar subjugador.

As mudanças ocorridas se faziam presentes em todas as partes de Bizâncio, porém o que mais chamava a atenção era o valor dado aos supostos relicários que a igreja afirmava pertencer as entidades sacras da bíblia a ponto de aguçar a inveja aos povos ocidentais, tanto que quando Constantinopla foi saqueada pelos cruzados em 1204 todo o material “disponível”que puderam carregar foram guardados nos mosteiros que pela simples presença nesses locais, eles se transformaram em locais de peregrinação devido ao valor espiritual dos objetos, transformando esses locais em verdadeiros centros de peregrinação pelo seu prestigio e riqueza. 


Era natural que se criasse toda uma mítica em torno desses relatos e histórias a ponto de as superstições ganharem corpo tanto para quem acreditava ou não nesse tipo de culto, as proporções atingidas chegavam as fronteiras do além e das adivinhações; para entender a vontade de Deus quase tudo era permitido no campo mítico e espiritual, desde a cartomancia as adivinhações, praticas bíblicas e outros tipos de artimanhas era elaborados o tempo todo para tentar descobrir uma resposta para as aflições terrenas, a ponto da magia se tornar corriqueira entre os bizantinos, mesmo a igreja sendo contra e impondo punições contra isso que poderia ser até a morte.

As rivalidades começavam tomar forma entre as sés episcopais do Oriente onde Roma teria o arbítrio, porém negaria a autoridade do papa para tal decisão, em Constantinopla as idéias orientais ganhavam cada vez mais força a ponto de passar adiante as rivais de Alexandria, Antioquia e Jerusalém que por sua vez se colocara de frente com a igreja romana na disputa pela liderança dos fies pelo mundo. Assim cada heresia, doutrina, dogma ou rejeição através da igreja e dos concílios ganhavam novas dimensões políticas.

Uma dessas correntes foi o monofisismo instalado pelo patriarca Nestorio onde ele defendia a doutrina da natureza de cristo ser separada da divina e sua encarnação seria totalmente humana, daí não se aceitava a idéia de chamar sua mãe de virgem, a sé de Alexandria era contra que por sua vez defendia a idéia de união total dessas duas idéias, pela qual negaria o caráter humano de Cristo, enxergando-o apenas como natureza. Nesse ínterim, o nestorianismo foi condenado como herético, depois o monofisismo sofreria o mesmo tipo de acusação. 


Zenão
Zenão um imperador bizantino tentou encontrar uma maneira de diminuir essas desavenças e tentou concilia-las com medidas conciliadoras, mas só piorou o que já estava ruim, Egito e Síria não quiseram negar o monofisismo e 150 anos depois abriram suas portas para o islamismo, os nestorianos acharam abrigo na Pérsia, China onde trabalharam com os mongóis nas missões dessas régios fronteiriças. O papa por sua vez também estava descontente com a decisão do imperador se intrometer em assuntos religiosos e como não poderia puni-lo excomungou-o como patriarca de Constantinopla, criando assim o primeiro cisma entre Roma e Bizâncio.

Leão III
Nessas disputas pelo poder como forma de rechação, foi instituído a iconoclastia, onde negaria a adoração a imagens, ícones ou pintura de Cristo, da Virgem e de todos os santos, na verdade essas imagens eram mais do que simples objetos cultuados, eram verdadeiras obras que eternizariam o tempo, “comprovando” a encarnação de Deus na terra. Por motivos políticos em 726, Leão III ordenou toda e completa destruição das imagens, isso fez as pessoas expressassem um pensamento incompatível com a essência da espiritualidade do cristianismo em adorar imagens que materializavam o sagrado em forma de pedra, pano ou madeira, mas ao fazer isso, Leão III despertou a ira dos adores que veneravam essas imagens, principalmente as que se encontravam nos mosteiros que era sinal de prestígios e riqueza, essa adoração fazia os jovens se vestirem iguais aos seus representantes divinos e por causa disso desfalcavam em números as outras esferas da sociedade como a marinha, a mão de obra agrícola, o exército e principalmente a redução de impostos, sua intenção era frear o poder monástico que crescia perigosamente.

Adoração de imagens.
Os fiéis reagiram violentamente a esse sacrilégio contra a ordem imperial, o fato era que o exercito estava dividido, pois era formado por integrantes oriundos da Ásia Menor e pelos rigores do puritanismo religioso, essa mistura de pós e contras se tornaria perigosa a cada dia a ponto de uma guerra civil estar em iminência; as discórdias aumentavam a todo o momento a ponto da rainha Irene em 787 autorizar novamente a adoração as imagens a para tal cegou o próprio filho, foi destronada e o sucessor também não obteve êxito, até que em 843 com um novo sínodo, convocado pelo poder imperial foi restabelecido o culto as imagens. 


Carlos Magno
O império bizantino começava apresentar sinais de desgastes e num primeiro momento o poder imperial se viu fraco para impor seu ponto de vista, por esse fato a igreja de Roma sai fortalecida, num segundo momento a oposição de Roma a iconoclastia levou o papado a pedir ajuda aos reinos germânicos dos francos e não a Bizâncio para enfrentar os lombardos, por causa disso o imperador em 768 não poderia mais pedir a ratificação da eleição de cada novo papa, cuja escolha agora era comunicada ao rei dos francos, por causa disso muitos territórios italianos foram perdidos abrindo caminho para Carlos Magno no futuro ser coroado como “imperador dos romanos”; com isso o império oriental perderia poder sobre o ocidente. 


Cisma de Fócio
A situação se agravaria com a cisma de Fócio, onde ocorrera o rompimento das relações dessas duas igrejas, chegando ao ponto de que em 1054 haver a separação total, ou seja, a quebra definitiva da unidade cristã com a igreja católica romana encabeçada pelo papa ortodoxo grego chefiado pelo patriarca. 


Começaram então as disputas, saques com toda violência imaginável entre as duas partes a ponto de se tentar uma aproximação novamente nos séculos XIII e XV, porém sem sucesso, pois sempre esbarravam na forte oposição da população bizantina, esse fato só demonstrava o temor do comando bizantino face ao perigo próximo da queda do império, que aconteceria não muito tempo depois, tendo seu desejo expresso na vontade de ver sua bela capital usando um turbando islã do que ter que se curvar perante um chapéu cardinálico.

Referências:

Perry Anderson – Passagens da Antiguidade ao Feudalismo. São Paulo, Ed. Brasiliense, 1992.
O Império Bizantino: Hilário Franco Jr e Ruy de Oliveira Andrade Fº.
André Voucher: Espiritualidade Referência: VAUCHEZ, André. A espiritualidade na Idade Média: (séculos VIII a XIII). Ed. Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 1995. Páginas: 7 – 29.
__________________ Ocidente– processos de cristianização: ordem social processo de liberdade para que os germanos vivenciassem seus cultos.
Ruy: Oriente – a população vivência o culto e expressa o cristianismo de modo reflexivo.
Religiosidade Bizantina (oriente) – Andrade Filho.
"A Maldição do Império: Destruição” Por Thomas Cole, 1836. 


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