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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Teoria do surgimento da Antropologia

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"Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento" Machado de Assis


A antropologia surguiu proximadamente no inicio do séc.XIX por causa do pensamento que imperava na época: o iluminismo era o sinal de que o homem poderia tudo e a máquina transformaria a matéria (ele pensou e transformou a realidade construindo a máquina). Darwin surgiu com a evolução das espécies, onde o homem se transformaria ao longo dos séculos: transformação biológica. As ciências humanas buscariam nas ciências biológicas o status cientifico. Darwin organizaria as idéias numa contemporaneidade e falava que as espécies evoluiriam, consequentemente a sociedade também. Os europeus olhavam para suas colônias e enxergavam nos colonos o que eles já foram um dia e pensavam que a evolução chegaria a um ápice como se fosse uma pirâmide e os europeus estaria no topo e o resto do mundo na base.

Com o tempo essas idéias foram caindo e já não de pensa mais assim, o sujeito agora é colocado no seu devido tempo, os trabalhos feitos pelos autores eram oriundos dos que já existiam na época, os primeiros antropólogos achavam que não precisavam ir a campo fazer seus trabalhos, pois eles se baseavam nos escritos trazidos pelos escrivões das naus e foi com base nesses escritos que melhoramos os conceitos da idéia de cultura atualmente.

Quais eram as características do evolucionismo do pensamento cultural?

O objeto a ser estudado era amplo e englobava quase tudo e por conseguinte o evolucionista estudava toda a sociedade. Morgan Tayler não pensava só na religiosidade, ele pensava num todo. A amplitude do objeto para o antropólogo era estudar aos poucos e não tudo de uma só vez para não sair um trabalho com erros ao ponto que era impossível estudar tudo ao mesmo tempo como objeto pelo evolucionista, afinal ele queria estudar a sociedade. O método evolucionista fazia comparações:
1ª Fase da Evolução: Quais eram as características? Que objetos usavam? Eles eram nômades?2ª Fase da Evolução: Eles eram sedentários? Eles criaram núcleos familiares?
CRITICAS:
- Eles não olhavam para dentro da sociedade
- Eles não criavam parâmetros externos


- As características não eram comparadas
- As sociedades eram diferentes, por isso não aceitavam essas diferenças

A história é tratada como uma enciclopédia, uma marcação de tempo linear encaixado em assuntos, no evolucionismo era uma escada existente entre os patamares da sociedade, pois dizia que o tempo é fase da evolução (a mais evoluída) e perto (não importando o tempo ou data), sem se preocupar com os processos históricos.



Leslie White comparava as culturas como fases: barbárie selvageria civilização




A base do pensamento evolucionista era europeu, os romanos não se encaixavam nesse perfil na antiguidade, pois pensavam ser os sujeitos na história; a evolução tiraria o sujeito das camadas inferiores e racionalizando-os, iriam para as camadas superiores. Para o civilizado, Deus era único e onipotente e daria alma ao civilizado (sujeito).

ILUMINISMO: no homem foi diferente de todas as espécies por que ele pensa e acumula conhecimento cientifico, podendo assim aprovar e desaprovar pensamentos para melhorar o que já foi feito.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: foi o movimento iluminista, positivista que comprovou e aumentou a força, considerando o momento, o homem como sujeito e foi marcado pela transformação de Darwin e seu sistema evolutivo.

MARX: falava de previsões das passagens do comunismo positivista para um pensamento evolucionista, ao criar a dialética e a idéia de fases, ele comparava as sociedades primitivas; os autores contemporâneos questionavam as sociedades em que eles viviam, a questão mais importante era como acontecia o processo para se chegar aquela fase do processo e depois como fariam para sair daquela fase. A importância não era o acontecido e sim como tinha acontecido. Deveria olhar para o passado e tentar enxergar como ele era, bem como qual era o papel da religião nesse contexto?


O importante da evolução era como ela tinha ocorrido:

Existia alguma crítica? A evolução era aceita da forma que era imposta?
As fases da evolução eram importantes? O tempo não importava (cada uma das fases da evolução representava a sociedade), a evolução histórica se preocupava em classificar os fatos:
X: duas fases diferentes do séc. XVI e XX estavam em fase de evolução.
Foi criado o método de comparação.

A antropologia era tida como senso comum, social, dinâmica, regional e universal, determinante e determinada, partindo desse pressuposto, as teorias eram tratadas pela antropologia?
- Qual foi o pensamento de introdução aos estudos históricos?
- Quais foram as teorias filosóficas e sociológicas?
- O objeto do evolucionismo era o homem primitivo , esse era o pensamento básico do iluminismo?


FUNCIONALISMO: eram tentativas que iriam contra o evolucionismo, a base do olhar era a sociedade e o corpo humano, não se fazendo mais uso do darwinismo, o funcionalismo retornaria no inicio da 1ª guerra mundial; pensava-se que existia um organismo social igual a um corpo e o corpo humano seria como uma engrenagem que fazia acontecer:
X¹: o coração fora do corpo não funciona.
X²: o fígado sem o corpo não vale nada.
A sociedade funcionaVA como uma engrenagem comparada as partes do corpo, cada membro move essa grande engenhosidade denominada sociedade, quando há uma falha em um dos membros, a sociedade perde com isso, é como se retirassem algum órgão vital do corpo e ele padecesse, isso equivaleria a sociedade, ela não funciona se o corpo não estiver em perfeita harmonia.

A função não esta no órgão ou no sujeito, mas na relação que eles mantém, movendo-se para todas as outras partes:
X¹: pensar um uma sociedade que não existe como família:
- como pensar numa sociedade sem relação parental?
- como seria esse sujeito?
- quem dominaria esse sujeito?



A família é um instituto com seus significados existentes em todas as sociedades; a religião assume o papel dessa “cosmopolização”, onde as explicações religiosas são baseadas em cima daquilo que não tem explicação. A função religiosa era vista como um comportamento daquilo que era colocado para as pessoas da maneira como elas viam o fato, foi um padrão criado do mundo associado com a ética social ligada a religiosidade, a partir disso a culpa passou a incorporar o pecado com aplicações culposas.




O grande representante do funcionalismo foi Branislaw Malinovsky, tendo seus estudos baseados no evolucionismo que era pregado e foi de fato fazer seus estudos nas ilhas Trobriand estudar o “Kula”, uma espécie de sistema econômico de troca, sua missão era tentar entender como isso funcionava e saber quais eram os aspectos culturais impostos por essas sociedades, bem como era a relação entre eles com a economia, os parentes, a religião e a cultura.





Tanto Strauss como Malinovsky estudavam para um modelo final, pois não se podia partir para o campo com conclusões prévias, mas sair para o campo em contato com varias sociedades, só assim entenderiam como essas sociedades funcionavam. Strauss tentava explicar como funcionava o parentesco das varias sociedades diferentes.





Franz Boas planejava fazer seus trabalhos no campo das pesquisas, mas nunca o fez.




A imagem dos socialistas era passada como a de máquinas instrumentais nas sociedades, subjugando-as, reconhecendo a colonização pelo conhecimento, os sociólogos e antropólogos começaram a fazer seus trabalhos para tentar entender como funcionava o povo japonês por exemplo:



X¹: o que fazia um kamikaze morrer pelo seu povo?
X²: por que eles se comportavam dessa forma?
X³: como a sociedade produzia esses homens suicidas/bombas?



Foram estudados vários japoneses para entendê-los, como eles eram, como eles pensavam nas questões sociológicas; o homem bomba se matava por pensar que era um herói, achando que se sua morte fosse honrosa, seria um homem abençoado e assim mataria os “infiéis”, não era um ato individual, mas sim um ato coletivo em prol da sociedade japonesa, nesse ínterim, isso faria sentido para eles. Para os ocidentais o estranhamento se dava por não entender como esse processo se dava e o que significava. As ciências das culturas tentavam explicar como funcionava esse pensamento e o poder exercido na antropologia e sociologia; em certas comunidades indígenas isso acontecia frequentente, as vezes se ganhava e as vezes se perdia, dizimando, matando e principalmente negociando os perdedores para ver quem ficaria com sua terras.

Conhecer os povos já foi uma forma de dominação, sendo o avanço cientifico ao mesmo tempo um massacre, nesse caso a ciência serviu ao poder, a idéia central do funcionalismo era a função e o sistema ser estudado em pequenas partes para poder entender melhor o que estava se estudando, no estruturalismo, era o contrário, se estudava a sociedade para depois entende-la:

X: o fordismo foi baseado no estruturalismo. A “engrenagem” que não funcionasse direito seria substituída ou sofreria “sansão penal” e não se enquadrando, seria substituída; essa engrenagem teria que funcionar tal qual para frente. Só aprenderemos e desenvolveremos algo se formos pesquisar e aprender, na gramática e na linguagem já temos isso definido.

A idéia mais importante do funcionalismo é a função, não exatamente nas instituições, mas nas relações, o estruturalismo e as outras teorias são chamados de teorias do equilíbrio, existe um equilíbrio social mesmo nesta disfunção, além de uma dinâmica, com isso não há desestruturação, mas sim subjetividade social. O homem hoje tem o poder de eliminar o que quiser na sociedade se não o desejar. No estruturalismo e no funcionalismo a revolução foi um marco para esses movimentos:

- a cultura não morre, só se conseguiria isso destruindo os membros dessa sociedade.
- a língua brasileira é uma das mais diversas línguas e nela há incorporações sócios culturais, o que nos da singularidade por identidade são as leituras de certos lugares.

Estruturalismo Funcionalismo: surgiu aproximadamente antes da 1ª Guerra Mundia em torno de 1914 (teve mais força na 2ª G M) e na 2ª Guerra Mundial em torno de 1930.

O estruturalismo foi um período de desestabilidade social e político no mundo, ao terminar a 1ª Guerra Mundial os conflitos continuam e nesse momento surgiram as teorias para explicar esses fenômenos, tentando restabelecer o período de paz. Para isso utilizaram-se as idéias de Durkheim que falava dos fatos sociais mais usados pela historia, a força motriz de tudo isso seria o positivismo.

Fato Social / Histórico não propiciava a possibilidade de se contra por, era supostamente incontestável, hoje é um acontecimento histórico, com múltiplas visões, porém cada um com sua versão:



X: protesto de caminhoneiros: para nós seria uma versão, para o sindicato seria outra.





O fato é o mesmo, mas a versão muda, tornando ela descritiva, pouco analítica e sem tolerância para outras versões. A a hipótese só pode ser aprovada se não for verdadeira e se não o fizer, essa é a idéia do positivista/evolucionista. A evolução é o fato, ou se tem ou não se tem, comparada com a fé, é uma coisa fechada. Toda vez que se parte de um pressuposto, ele deve ser enquadrado. A resposta positivista/evolucionista já vem pronta, ela passa a ser uma proposta de complemento a resposta, é a menor teoria e o maior método de trabalho chamado estrutural funcionalismo, quase chegam ao mesmo lugar, sendo uma questão de método e não de pensamento, é preciso pensar que a sociedade é sistêmica, é uma idéia de conjunto que reflete a sociedade na sua forma social.


No funcionalismo o que importa são as partes, observam-se partes do conjunto...........................................XNo estruturalismo o que importa é o todo, é uma idéia em conjunto
Malinovsky se dizia ser um evolucionista
Lêví Strauss dizia que grande parte do estruturalismo partia da idéia positivista de Durkheim
Todas as teorias nas áreas das ciências humanas só foram escritas depois de: Marx, Webber e Durkheim:
Webber falava que as idéias faltavam subjetivismo, do rompimento do fato e da fala, além da base que cria a ação social.
Marx falava da história social, não se preocupando nem com o fato nem com a ação, ele buscava em Hegel a questão da dialética e o conflito da ação e o fato.
Durkheim falava ainda do discurso que girava em torno do fato social e sua compreensão, era um teórico que falava do conceito da representação.

Os três criaram caminhos teóricos e são ao mesmo tempo contemporâneos, sendo que dentre eles somente Marx era o que mais tinha prestigio; viveram um momento e não puderam presenciar suas idéias e consequentemente não fizeram parte do contexto.

- Quais eram as idéias que eles tinham da sociedade?
- Quais os acontecimentos históricos que estavam acontecendo naquela época?
- Eles eram o reflexo da sociedade que viviam?
- Quem eram os seguidores de suas teorias?

Para tais respostas há necessidade de entender os pré supostos teóricos, existia um medo das pessoas não serem aceitas por aceitar e difundir as idéias de Durkheim e Webber.


O PRAZER JUSTIFICADO – Denise Beermzi S´antanna

Contra Cultura: é diametralmente contra algo estabelecido, nos anos 1970 era uma cultura hegemônica, não pensava em nada que fosse contrario, tudo deveria ser a favor: tropicália, era contra um poder político, não contra a cultura nacional. O movimento político era uma coisa e o movimento cultural e social eram outro, o movimento político era da elite para a elite, não visava beneficiar o povo e sim os que estavam no poder.


AS TEMÁTICAS DA ANTROPOLOGIA E SEUS CONCEITOS

Raça: não há conceito de diferenciação racial, ela é humana, o conceito de raça tem haver com aspectos biológicos e quando se fala de raça é preciso ter cuidado para não confundir com os aspectos culturais e biológicos (doenças de um grupo de pessoas e não de outros grupos):
X: anemia falciforme existe em grupos de negros, o branco também tem anemia falciforme, porém ele não é mestiço, no mundo não existe branco, negro ou asiático puro, existe agora uma verdadeira miscigenação de raças:
X¹: doenças que não aparecem em negros.
X²: características de fenótipos (aparência, matiz de pele, testura do cabelo, formato do nariz, do corpo, características raciais) se relacionam com o tipo humano dentro de vários grupos.

Etnia: são grupos culturais que fazem parte de um todo:
X: ianomâmis, bósnios, bascos, nagôs formam um conjunto de características culturais que dão identidade ao local onde vivem, posteriormente passou a ser chamada de cultura.
cultura etnia
..............
É um grupo social específico (características culturais em um dado grupo de sujeitos que são diferentes de raça) com características culturais próprias deles:



X: Grupo de índios – Ianomâmis são diferentes dos Xavantes; a antropologia física estuda o corpo físico do homem e suas características em grupos sociais diferentes, biologicamente não somos todos iguais, para a medicina existem características gerais, os estudos da antropologia física estão bastante avançados nesse sentido com programas específicos para cada comunidade, no BR a cultura da antropologia física ainda esta nos seus primórdios de estudos.




É o chamado racismo a brasileira, estamos acostumados a pensar etnicamente em relação a ser quase igualitários por causa da herança portuguesa, a chamada “democracia racial”, por que não havia um pensamento racial a partir da mestiçagem, o português não pensava que o índio ou o negro fossem iguais a ele. As relações são colocadas em uma base piramidal hierárquica.




Quanto mais se define o sujeito branco, mais prestigio se tem,quanto mais se afasta o sujeito do branco, menos chances terá:
X¹: ponto de ônibus: coloca-se o sujeito em lugar de poder:
X²: você sabe com quem esta falando?


A pessoa com poder é quem define o caso, os sujeitos “inferiores” são redirecionados a posição social (bairro onde vivem, salário que recebe), há uma desconstrução do discurso, aprendeu-se durante muito tempo que branco representa poder, a mídia é a grande responsável por propagar esse tipo de discriminação. Nos EUA, ser negro não significa ter a cor negra, mas ser geneticamente negro sim, por que existe uma definição pela descendência e não pelo estereótipo.

Os povos no BR não se reconhecem racionalmente e sim etnicamente, a idéia biologista cai por terra, pois quando se olha as outras raças, elas são únicas e iguais ao mesmo tempo, como defini-las geneticamente então? No séc.XIX para os cientistas pensava-se que quanto mais mistura houvesse, pior seria.

INDIOS

São considerados uma raça negróide, a idéia de raça negra para a população de hoje esta associada a aparência do negro:o senso comum revela que os brancos na BA são mestiços ou negros e as pessoas se vêem como negras ou brancas, sendo que as raças são: brancas, negras e amarelas. Esse tipo de interpretação ocorre por que as pessoas só enxergam o ponto de onde vieram e o que as pessoas faziam nesses lugares antes de serem arrancadas de suas terras por causa da escravidão.A a questão de raça expressa as características de suas origens, a sociedade usa o conceito de raça para colocar o sujeito no lugar que ela acha ser o mais apto. Com isso surge o impasse de quem não é nem branco nem negro, a idéia de raça não pertence ao universo das idéias e sim da biologia, sendo no DNA que se identificam as características raciais.

No movimento negro se rejeita a idéia do mulato por que ele é considerado híbrido (relação do negro com o branco), e essa idéia de mistura foi a pior coisa que poderia acontecer. A colonização portuguesa misturou o português branco com o africano negro, o inglês/germânico essa miscigenação não ocorreu. Quando o BR foi colonizado os brancos não eram mais existentes. A culturização brasileira se deu pela mistura das etnias.O índio é discriminado que o negro no BR e muito pouco falasse desse assunto.



PATRIMÔNIO CULTURAL


É aquilo que da característica de uma sociedade localizada em uma determinada época:
X¹: a arquitetura baiana em nada tem haver com a francesa e sim com a ítalo-germânica.
X²: o posto “chaminé” do bairro Rio Vermelho.
X³: a igreja da Vitória.

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